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27/08/2010 - 14h39
Prisão de ventre infantil: causas e tratamento
Dra.Susana Scarin Silveira, pediatra

Escolhi este tema hoje, pois trata-se de uma queixa comum nos consultórios de pediatria, pois leva grande sofrimento para à criança e enorme preocupação para os pais.  

De um modo geral, chamamos de constipação intestinal mais conhecida como prisão de ventre, quando há eliminação de fezes endurecidas, com esforço, dor ou dificuldade, acompanhada ou não de longo intervalo entre as evacuações. Podemos ter a constipação intestinal aguda (aquela que acontece quando as crianças ficam por grandes períodos em jejum, por exemplo, quando estão sem apetite por uma gripe, ou aquela que aparece durante uma viagem, devido à mudanças na dieta e ao novo ambiente). Já a constipação intestinal crônica (que pode ocorrer devido a um problema na função do intestino, ou mais raramente, devido a uma doença crônica sendo no intestino ou fora dele, como por exemplo, o hipotireoidismo ou doenças neurológicas crônicas).

É comum entre as crianças portadoras de constipação intestinal, a baixa ingestão de fibras alimentares e o comportamento de reter as fezes (sentem vontade de evacuar, mas seguram as fezes, não as eliminando), o que as levam a ficarem mais endurecidas, aumentando o tamanho do bolo fecal, tornando a evacuação difícil, dolorosa, e acabam por ficar com medo de evacuar, e desta maneira, acabam por reter as fezes, e todo o ciclo se repete novamente, agravando mais o quadro.

Em lactentes que recebem somente aleitamento materno exclusivo, podemos encontrar a falsa constipação intestinal, ou seja, as crianças quando evacuam, eliminam fezes amolecidas e sem formato, sem dor ou dificuldade, que podem passar de cinco dias de intervalo entre uma e outra evacuação. Nestes casos, consideramos o hábito intestinal como normal, e não necessita de tratamento.
O tratamento depende do grau da constipação, sendo que os casos leves devem receber orientação nutricional (aumentar oferta de fibras alimentares e o consumo de líquidos), livre acesso ao banheiro (o ideal é que a criança consiga apoiar os pés durante a evacuação), e colocá-la diariamente sentada no vaso por cerca de dez minutos, sempre após a mesma refeição, mesmo que ela não esteja sentindo vontade de evacuar, para aproveitar o reflexo gastro-cólico e assim, estimular a evacuação. Nos casos mais graves, é necessário consultar um especialista nesta área, ou seja, um gastroenterologista pediátrico, que avaliará a necessidade de exames específicos, indicando o uso de medicamentos laxativos e outras medidas cabíveis ao caso. Faz-se necessário em muitos casos, uma avaliação de um nutricionista, que é um profissional habilitado para detectar e corrigir possíveis erros na alimentação da criança e de sua família.

(Foto: Divulgação)

 

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