Tem acontecido, nos últimos tempos, uma sucessão de fatos que me custa acreditar. Meu sentimento é tão diverso que não sei se é raiva, se é desilusão, se é descontentamento. A pergunta que faço - embora eu não seja adepto da mídia sensacionalista - é a mesma que faria o jornalista José Luiz Datena: “Onde estão as autoridades?”. O problema é que, nesse caso, as autoridades fazem parte dos mandatários do problema.
Dando um giro pela cidade de São Bernardo do Campo, o que vemos? Vemos o plenário da nossa Câmara Municipal indo abaixo, como se nossa Casa de Leis fosse qualquer casa e não fizesse parte do belo conjunto do Paço Municipal. Vemos os quiosques do Parque Estoril serem destruídos, depois de décadas servindo às famílias de São Bernardo, sobretudo aquelas que participam da Festa de São Bartolomeo, cinquentenária, no mês de agosto. Ouvimos os rumores de que nossa Praça da Matriz perderá seu mosaico português, a exemplo do próprio mosaico do paço, já todo deteriorado. Isso é amar São Bernardo? Quem ama não destrói sua casa.
A classe tradicional desta cidade - de nascimento ou de coração - encontra-se abismada com tanta destruição de nossa história e de nosso patrimônio. Achar que “não adianta” não é possível. Cada cidade tem sua identidade, identidade que está sendo aos poucos lançada fora. Isso me lembra um gestor que queria destruir o tabuleiro de xadrez de Maróstica, no estacionamento do Pavilhão Vera Cruz, para construir um hotel. Para isso, seria necessário destombar a área. Sou contra, sempre fui e sempre serei.
Patrimônio é algo sério, é o atestado da história de um povo. Quando o célebre grupo de Wallace Simonsen quis emancipar São Bernardo, nos anos 1940, com certeza não era isso que queria ver acontecer. E eu parafraseio, com todo o respeito, o próprio Wallace, tirando a vírgula do primeiro verso do nosso hino, por necessidade: “Salve São Bernardo”!
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